André Schiffrin (The New Press, NY)

Conglomerado e Monopólio nas Mídias (Mesa 1)

Nesta comunicação examinarei o padrão de concentração e de monopólio desenvolvido em países ocidentais ao longo das últimas décadas. Assim como em meu livro, O Negócio do Livro (editado no Brasil), analisarei a diferença das expectativas de lucro que vieram com os conglomerados, primeiro dos livros e depois das outras mídias. Observarei também as novas tentativas de estabelecimento do monopólio do controle de distribuição da Amazon e do acesso à informação do site Google. Por fim, serão consideradas as possíveis soluções para esses problemas crescentes, sendo mencionados também os prejuízos sociais e culturais que podem advir da não solução dessas questões.

Conglomeration and Monopoly in the Media
I will examine the pattern of concentration and monopoly that has been developed in Western countries over the last decades. As well as in my book, The Business of Books (published in Portuguese), in this lecture I will analyze the difference in profit expectations that has come with conglomeration, first regarding books then other media. I will also take a deeper look at the new attempts to establish monopoly of Amazon’s distribution control and of the access to Google’s information. Then I will discuss possible solutions to these growing problems, as well as the social and cultural costs of not dealing with these issues.

Laurence Hallewell (University of Columbia)

Pesquisando a História do Livro no Brasil (Mesa 1)

Nesta comunicação falarei de minha experiência como pesquisador da evolução histórica da indústria editorial e de livreiro no Brasil, de minha metodologia e de minhas ideias sobre como a pesquisa nesta área se desenvolveu nos anos subsequentes a meu trabalho.

Researching the Book’s History in Brazil
In this lecture I will address my experience as a researcher of the publishing industry’s historical evolution and as a bookseller in Brazil. I will also present my methodology and ideas of how research in this area has been developed in the years following my work.

Paulo Franchetti (Unicamp)

Editoras Universitárias para quê? (Mesa 1)

Esta comunicação propõe uma breve reflexão sobre o papel e a importância das editoras universitárias num momento em que, além da multiplicação de selos editoriais, se verifica o início de um processo de consequências pouco previsíveis para o mercado, a saber, a publicação eletrônica.

University Presses For What?
The lecture offers a brief reflection on the role and importance of the university presses in a moment when we can verify not only the multiplication of publishing labels, but also the beginning of a process with hardly predictable consequences for the market, namely the electronic publishing.

Edoardo Barbieri (Università Cattolica del Sacro Cuore)

As Publicações das Universidades na Itália do Norte Atual (Mesa 2)

Tomando como base as grandes universidades do norte da Itália (desde as instituições históricas, como Pávia, Bolonha e Pádua, até as mais modernas, como Turim, Milão, Veneza e Udine), esta comunicação procura salientar as diferenças nas relações entre editores e universidades conforme o tipo de publicação: as de pesquisa (relacionadas à evolução da pesquisa científica) ou aquelas destinadas ao ensino (com o problema das adaptações e das reproduções não autorizadas de obras existentes). Em seguida, serão comparadas a edição universitária independente e aquela das university press: dados, contradições e qualidade.

Les Publications des Universités dans l’Italie du Nord d’Aujourd’hui
Dans les grands universités du Nord de l’Italie (depuis les institutions historiques, comme Pavie, Bologne, Padoue, jusqu’aux plus modernes telles que Turin, Milan, Venise, Udine), l’exposé commence par souligner les differences dans les relations entre les éditeurs et les universités selon qu’il s’agisse de publications de recherche (liées à l’évolution de la recherche scientifique) ou d’éditions destinées à l’enseignement (avec le problème des adaptions et des reproductions non autorisées d’ouvrages existants). Il s’agit ensuite de comparer l’édition universitaire indépendante et celles des “University Press”: données, contradictions et qualité.

Matthias Middell (Universität Leipzig)

As Muitas Transformações de uma Velha Cidade de Editoras e Livrarias na Segunda Metade do Século XX (Mesa 2)

Historicamente, pelo menos até o século XVIII, Leipzig era conhecida como um centro de produção e venda de livros, mas, após a Segunda Guerra Mundial, devido a circunstâncias políticas, perdeu parte de suas grandes editoras. Depois da unificação da Alemanha, em 1990, a cidade perdeu sua antiga função de eixo da literatura acadêmica e ficcional. Esta comunicação descreve o processo histórico que nos trouxe à atual situação, bem como demonstra o papel que instituições como a Universidade e a Academia têm na cidade. É interessante observar como a universidade aproveitou a chance de criar uma editora em 1991, a qual se tornou, hoje, excepcionalmente, uma das maiores editoras de Leipzig. Além disso, trata-se de notar como essa fundação reflete as tendências das publicações acadêmicas alemãs da atualidade.

The Many Transformations of an Old City of Printing and Booksellers in the Second Half of the 20th Century
Leipzig was historically well known as a central place of book production and book selling since at least the 18th century. After the Second World War, due to political circumstances it has lost parts of the great publishing houses and after the German unification in 1990 it has lost its former function as a hub of both academic and fictional literature. The lecture describes the historical process that led to the current situation and the role of academic institutions such as the university and the academy within it. It is interesting to see how the university used the chance to create a university press in 1991 which is today (against the grain) one of the major publishing houses in the city – and how that foundation reflects current trends in German academic publishing nowadays.

Marco Santoro (Sapienza Università di Roma)

Livros e Universidades na Itália Centro-meridional: Ideias para uma Pesquisa (Mesa 2)

Nossa comunicação pretende concentrar-se na realidade da Itália centro-meridional. O contato entre a universidade e o mundo editorial tem origens antigas. Desde o início dos primeiros “estudos”, grupos de copistas se ocuparam com a reprodução e a difusão de textos universitários. Com o advento da imprensa e a evolução das estruturas acadêmicas e didáticas, ao lado de algumas casas tipográficas/editoriais dedicadas ao próprio setor de produção de textos destinados ao uso universitário, surgiram outras também, que, em seu catálogo, não se esqueceram de incluir publicações como gramáticas, textos de medicina, de direito etc., com variados objetivos pedagógicos. Com o passar do tempo, os cenários pouco a pouco mudaram e, no século XIX vemos, como consequência da situação política italiana, a formação de casas editoriais voltadas primordialmente para suprir as instituições universitárias. Nos últimos decênios surgiram iniciativas complementares, como as university press, que, mesmo com suas limitações, procuraram, por um lado, diminuir o custo dos textos acadêmicos e, por outro, enfatizar e destacar o papel das universidades, com seus novos objetivos organizacionais e administrativos.

Libri e Università nell’Italia Centro-meridionale: Spunti per una Ricerca
La relazione intende concentrare l’interesse in specie sulla realtà italiana centro-meridionale. Il rapporto fra università e mondo editoriale ha origini antiche. In effetti, sin dagli esordi dei primi “studi” botteghe di copisti si occuparono di ricopiare e diffondere testi universitari. Con l’introduzione della stampa e l’evolversi delle strutture accademiche e didattiche in genere, accanto ad alcune aziende tipografico/editoriali impegnate proprio nel settore della produzione di testi destinati all’uso universitario, ve ne furono altre che all’interno del proprio “catalogo” non trascurarono di inserire pubblicazioni impostate su dispense, grammatiche, testi di medicina, di giurisprudenza, ecc. di più o meno palese destinazione pedagogica. Col passare del tempo, gli scenari a poco a poco di modificano e nell’Ottocento si giunge, anche a causa della mutata situazione politica italiana, alla formazione di case editrici volte programmaticamente a supportare le istituzioni universitarie. Negli ultimi decenni sono sorte iniziative apposite, in specie le university press, che, sia pure con le loro criticità, hanno inteso da una parte alleggerire i costi dei testi accademici, dall’altro enfatizzare il ruolo delle università, investite da innovativi obiettivi organizzativi e manageriali.

Andreas Degkwitz (Humboldt-Universität zu Berlin)

Livros, Bytes ou Ambos? (Mesa 3)

Com as novas mídias, surgiram novos desafios que mudaram a comunicação acadêmica e as atividades de edição. Se, por um lado, temos a longa e conhecida tradição de revistas acadêmicas e livros impressos que publicam os resultados de projetos de pesquisa, por outro, a nova mídia e as novas tecnologias que vêm surgindo mudam os padrões da comunicação acadêmica. Essas inovações se justificam graças ao papel que o computador e a internet exercem na pesquisa e no ensino. Materiais impressos ainda são canais muito úteis para acumular e compartilhar atividades de pesquisa em versão textual. Porém, o crescente acúmulo de informações das intensas pesquisas nos diversos campos da ciência requer o apoio dos recursos digitais ao incrementar as publicações com anotações, dados, filmes, imagens, simulações etc. Documentos e plataformas digitais estão propiciando múltiplos formatos de edição, os quais nunca poderão ser integrados nas publicações impressas. Nesta comunicação procuramos explicar o plano de fundo do desenvolvimento, a variação dos modelos de negócios e distribuição e suas implicações para autores, intermediários e editores.

Books or Bytes or Both?
With the new media a number of new challenges came up changing scholarly communication and publisher activities. On the one hand we have the long and familiar tradition of printed books and journals to publish the results of research projects. On the other hand the new media and the emerging technologies change the patterns of scholarly communication. The reasons for these developments are given by the role of the computer and the internet in research and teaching. Printed materials are still very useful channels to sum up and to share research activities in a textual version. However, the crescent amount of data from intensive research in science, technology and medicine, as well as in social science and the humanities, require not only digital, but also enhanced publications to include annotations, data, movies, pictures, simulations etc. Digital papers and platforms are enabling multi-modal formats of publications which printed formats will never be able to integrate. The lecture will explain the background of the development, the varying business and distribution models and the implications for authors, intermediaries and publisher.

John Donatich (Yale University Press)

Por que os Livros Ainda São Importantes? (Mesa 3)

Os livros têm sido utilizados por sete séculos. Eles são portáteis e acessíveis e funcionam como coletâneas do conhecimento humano e de introspecção sobre nosso pensamento. Algumas pessoas acham e até mesmo esperam que o livro pereça na era digital. Esses críticos acreditam que trabalhos escritos contarão com concisos pacotes de informação que irão satisfazer as demandas dos leitores e, possivelmente, possuirão um hyperlink que irá direcioná-los a temas de interesses relacionados. Eles preveem uma biblioteca universal de pensamentos conexos alojados etereamente na internet, pronta para o usuário acessar o fragmento de conhecimento que busca. No entanto, tais hábitos de leitura encorajam uma forma diferente de aprendizado, baseada em uma seleção que sacrifica o contexto e o entendimento de suporte argumentativo de ideias em favor da gratificação instantânea. Para alguns, essa pode parecer uma visão utópica, mas a necessidade de escritos extensos nunca perecerá. Pesquisa, conhecimento acadêmico e expressão cultural necessitarão, em muitos casos, de argumentos que requerem a extensão dos livros em prosa. Mesmo na era dos leitores eletrônicos, usuários ainda baixam e acessam livros inteiros pelo prazer e erudição. Se a sociedade vier a descartar o formato do livro, o infeliz resultado será um público iletrado e desinformado.

Why Books Still Matter
Books have been around for seven centuries. They are portable, accessible collections of knowledge and insight into human thinking. In the digital era, some people accept, even look forward to the demise of the book. These critics believe written works will rely on concise information packets that will satisfy readers’ demands and possibly hyperlink to other topics of related interest. They foresee a universal library of connected thoughts housed ethereally on the internet, ready for users to log on and get the snippet of knowledge they seek. Such reading habits, though, encourage a different form of learning, one based on skimming that sacrifices context and an understanding of argumentative support of ideas for instant gratification. This may seem a utopian vision to some, but the necessity of long-form writing will never perish. Research, scholarship, and cultural expression will, in many cases, require book-length prose arguments. Even in the age of electronic readers, users still download and access whole books for pleasure and erudition. If society were to scrap the book format, an illiterate and uninformed public would be the unfortunate result.

José Castilho Marques Neto (Presidente da Fundação Editora Unesp/Abeu)

Políticas Públicas para a Edição Universitária no Brasil (Mesa 4)

Resumo não fornecido.

Lívio Amaral (Diretor de Avaliação da Capes-Qualis)

Políticas Públicas para a Edição Universitária no Brasil (Mesa 4)

Resumo não fornecido.

Carlos Edilson de Almeida Maneschy (Reitor da UFPA)

Políticas Públicas para a Edição Universitária no Brasil (Mesa 4)

Resumo não fornecido.

Frédéric Barbier (École Normale Supérieure/CNRS)

Qual o Papel do Tipógrafo Livreiro na França sob o Antigo Regime? (Mesa 5)

O surgimento das universidades na Europa, a partir do século XI, dá-se na origem de uma reconfiguração profunda da economia do livro: a demanda de textos aumentou consideravelmente, a ponto de causar o desenvolvimento de um novo ramo de atividade (os ateliês de copistas e as livrarias) em cidades como Paris, Bolonha e, mais tarde, Colônia. Ao mesmo tempo, a universidade se preocupa com a qualidade dos textos, enquanto a intervenção das ordens mendicantes, especialmente os dominicanos (em Paris, em 1221) é acompanhada da introdução dos primeiros procedimentos de controle e de censura. É o nascimento do Quartier Latin, cujo eixo principal se concentra na rua Saint-Jacques. Lá, as livrarias ocupam um lugar crescente: elas são suppôts (membros) da universidade, prestando juramento, desfrutando de certo número de privilégios e sendo isentas de impostos (a talha). Em contrapartida, a universidade controla suas atividades. Esta comunicação examinará sob quais condições a antiga articulação entre a universidade e o mundo do livro modificou a imprensa (segunda metade do século XV) e como essa relação evolui até o fim do Antigo Regime.

Qu’est-ce qu’Être Imprimeur Libraire de l’Université en France sous l’Ancien Régime?
L’apparition des universités en Europe à partir du XIe siècle est à l’origine d’une reconfiguration profonde de l’économie du livre: la demande en textes est considérablement accrue, au point de faire se développer une branche nouvelle d’activité (les ateliers de copistes et les librairies) dans des villes comme Paris, Bologne, ou plus tard, Cologne. Dans le même temps, l’université se préoccupe aussi de la qualité des textes, tandis que l’intervention des ordres mendiants, notamment les Dominicains (à Paris en 1221), s’accompagne de la mise en place des premières procédures de contrôle et de censure. C’est la naissance du “Quartier latin”, dans lequel l’axe majeur est celui de la rue Saint-Jacques. Les libraires y occupent une place croissante: ils sont “suppôts” (membres) de l’université, prêtent serment, jouissent d’un certain nombre de privilèges et sont exemptés de l’impôt (la taille). En contrepartie, l’université contrôle leur activité. La communication examinera dans quelles conditions cette articulation ancienne entre l’université et le monde du livre est modifiée avec l’imprimerie (deuxième moitié du XVe siècle), et comment elle évolue jusqu’à la fin de l’Ancien Régime.

István Monok (Universidade de Széged/Academia Húngara de Letras)

A Imprensa Universitária de Buda a Serviço da Formação da Consciência Nacional das Nações da Europa Central (1777-1848) (Mesa 5)

Houve, na Hungria, durante a Idade Média e na Época Moderna, tentativas de fundação de uma universidade. A primeira, que funciona até os dias de hoje, foi fundada somente em 1635, em Nagyszombat. A imperatriz Marie-Thérese a transferiu para Buda noventa anos após a expulsão dos turcos da antiga capital do país. A tipografia dessa universidade beneficiou o ensino desde sua fundação, mas, em Buda, a tipografia se encarregou da formação e da modernização da consciência nacional dos diferentes povos que viviam na Hungria Real e na Transilvânia. A presente comunicação compara a estratégia editorial da Imprensa da Universidade de Nagyszombat-Buda, seguindo sua periodização: 1635-1711, 1711-1777, 1777-1848 (com destaque para o último período).

L’Imprimerie Universitaire de Buda au Service de la Formation de la Conscience Nationale des Nations de l’Europe Central (1777-1848)
Bien qu’au Moyen Âge et à l’époque moderne il y avait eu des essais de fondation d’une université en Hongrie, la première, qui fonctionne même aujourd’hui, était fondée seulement en 1635 à Nagyszombat. L’imperatrice Marie-Thérese l’a déménagé à Buda, 90 années après avoir expulsé les turcs de l’ancienne capitale du pays. L’imprimerie de cette université a servi à l’enseignement dès sa fondation, mais à Buda l’imprimerie a pris la charge de la formation et de la modernisation de la conscience nationale des différents peuples vivant en Hongrie Royale et en Transylvanie. La présente conférence compare la stratégie éditoriale de l’imprimerie de l’Université de Nagyszombat-Buda, en suivant la périodisation de l’histoire de l’université: 1635-1711, 1711-1777, 1777-1848, en mettant l’accent sur la période dernière.

Nelson Schapochnik (Feusp)

Mercado Editorial e Expansão Universitária nas Páginas do Boletim Bibliográfico Brasileiro (1952-1959) (Mesa 5)

Esta comunicação tem por objetivo compreender o papel do Boletim Bibliográfico Brasileiro, uma publicação bimestral editada sob os auspícios do Sindicato Nacional das Empresas Editoras de Livros e Publicações Culturais, na divulgação dos lançamentos e reedições de livros voltados para o ensino universitário. Esta publicação, além dos informes organizados em classes decimais, de acordo com os princípios de Dewey, e da farta propaganda, apresenta editoriais assinados por Ênio Silveira, que conferem uma perspectiva muito interessante sobre o negócio do livro no Brasil. De acordo com o editor, o Boletim se apresentava como “um excelente veículo para melhorar a promoção de suas vendas”. Convém recordar que os anos 1950 são marcados pelo surto de expansão do ensino universitário no Brasil, seja por meio da agregação de escolas profissionalizantes, ou ainda pela “federalização” de faculdades estaduais ou particulares. Portanto, o exame mais acurado desta publicação permite estabelecer algumas mediações entre a ascensão desses novos leitores e o mercado editorial brasileiro do período.

Publishing Market and Academic Expansion on the Pages of the Boletim Bibliográfico Brasileiro (1952-1959)
This lecture’s goal is to comprehend the role of the Boletim Bibliográfico Brasileiro, a bimestrial publication under the auspices of the National Syndicate of Books and Cultural Publishing Companies, in the divulgation of releases and re-editions of books directed to the academic education. This publication presents not only reports organized in decimal classes, according to Dewey’s principles, and broad advertisement, but also editorials signed by Ênio Silveira which confer an interesting perspective about the book business in Brazil. According to the editor, the Boletim was “an excellent vehicle to improve the promotion of its sales”. It is convenient to remember that the fifties were marked by an expansion outbreak of the academic education in Brazil, be it through the aggregation of professionalizing schools or even through the federalization of state or private colleges. Therefore, a more accurate exam of this publication allows us to establish a number of mediation between these new readers’ ascension and the Brazilian publishing market of that period.

Jean-François Botrel (Université de Rennes II)

Os Universitários e o Negócio dos Livros Didáticos na Espanha (1857-1960) (Mesa 6)

À medida que vai crescendo na Espanha o número de estudantes, e a legislação vai evoluindo, assim como as exigências de formação e modalidades de ensino, o livro didático deixa de ser um mero prolongamento da palavra do catedrático para se converter em um produto editorial específico para o mercado nacional e hispanófono. Sem que a venda de livros deixe de ser um complemento financeiro quase imprescindível para os universitários, estes vão se convertendo de autoeditores e “professores negociantes” em autores contratados pelas poucas editoras que, desde finais do século XIX, começam a dedicar-se à edição de livros para o ensino superior, especialmente para a formação de médicos, advogados e professores. A partir dos arquivos da Casa Editorial Hernando, La España Moderna e outras editoras, procuraremos documentar e estudar as consequências desta evolução sobre a produção e uso do livro didático, desde a promulgação da Lei Moyano, em 1857, até o novo regime do livro universitário a partir dos anos de 1960.

Los Universitarios y el Negocio de los Libros de Texto en España (1857-1960)
Conforme van creciendo en España el número de estudiantes y evolucionando la legislación así como las exigencias de formación y modalidades de enseñanza, el libro de texto deja de ser la mera prolongación de la palabra del catedrático para convertirse en un producto editorial específico para el mercado nacional e hispanófono. Sin que la venta de libros deje de ser un casi imprescindible complemento financiero para los universitarios, van convirtiéndose estos de autoeditores y “profesores negociantes” en autores contratados por las pocas editoriales que, desde finales del siglo XIX, empiezan a dedicarse a la edición de libros para la enseñanza superior, muy especialmente para la formación de médicos, abogados y maestros. A partir de los archivos de la Casa Editorial Hernando, de La España Moderna y alguna editorial más, se procurará documentar y estudiar las consecuencias de dicha evolución sobre la producción y uso del libro de textos, desde la promulgación de la Ley Moyano en 1857 hasta el nuevo régimen del libro universitario a partir de los años 1960.

Nuno Medeiros (CesNova – Universidade Nova de Lisboa e ESTeSL – Instituto Politécnico de Lisboa

O Mercado do Livro, a Edição e a Universidade em Portugal: Traços Contemporâneos (Mesa 6)

A edição universitária é um objeto de estudo muito interessante e bastante particular em Portugal, pois a atividade editorial das universidades existe e em alguns casos é bastante antiga, mas atualmente caracteriza-se pela dispersão. Outro dos atributos aparentes da edição das universidades portuguesas consiste no fato de que os livros editados tendem a não estar agregados a uma chancela forte e facilmente reconhecível. Existem, evidentemente, algumas exceções a este quadro de rarefação, normalmente relativas a editoras representativas não das universidades em que estão instaladas, mas de unidades orgânicas, como faculdades ou centros de pesquisa, associadas a essas universidades – portando até o nome dessas unidades orgânicas e não o da universidade. Um dos problemas que se coloca é, portanto, o da significativa ausência de grande circulação das edições de livros chanceladas por universidades portuguesas, arredadas normalmente da distribuição nacional de carácter comercial e frequentemente encerradas em redes onde o livro se move e é visível num espaço restrito ou mesmo bastante restrito.

The Book Market, Publishing, and the University in Portugal: Contemporary Aspects
University publishing is an interesting object of study and is very particular in Portugal, where the universities’ publishing activities exist, in some cases, for a long time but it is currently scattered. Another of the Portuguese university publishing’s apparent attributes resides in the fact that the published books tend not to be aggregated to a strong and easily recognizable seal. Obviously, there are exceptions to this situation of scarceness. Normally these exceptions are related to representative publishers not of the universities, but of organic units like colleges or research centers associated to them. Therefore, one of the problems that arise is the significant absence of a great circulation of editions with Portuguese universities’ seals, usually removed from the national distribution with commercial interests and frequently enclosed by distribution networks that offer the books very limited visibility.

Michel Melot (Bibliothèque Nationale de France)

A Escrita, da Linguística às Artes Gráficas (Mesa 7)

Há cinquenta anos os estudos sobre a escrita, área reservada aos linguistas que viam a “transcrição da linguagem” somente de acordo com a concepção de Saussure, migraram para a direção do grafismo, passando da língua para o visual. As distinções tradicionais entre pictogramas, ideogramas e logogramas perderam sua pertinência. O campo da escrita, recentemente cercado pelo fonetismo, se abriu, mas sem cobrir toda a semiologia. Todas as ciências humanas contribuíram com essa mudança de ótica: a etnologia, primeiramente com a descoberta de múltiplas formas de escrita “primitiva”; a filosofia (J. Derrida); a psicanálise (“a instância da letra”); as descobertas dos estudiosos da pré-história; a história do livro, com o interesse voltado para a configuração textual (mise en texte) e para a tipografia; os próprios linguistas (integrando à literatura os estudos sobre a pontuação) e os elementos do “paratexto” (didascálias, legendas); e enfim os artistas, com a produção crescente de “livros de artistas” na descendência de Mallarmé. Tentaremos demonstrar que não é por acaso que essa revisão radical da noção de escrita é concomitante ao desenvolvimento das escritas matemáticas e das linguagens da informática, ao progresso das técnicas de reprodução de imagens, à “multimídia” e à numerização.

L’écriture, de la linguistique aux arts graphiques
Depuis 50 ans les études sur l’écriture, domaine réservé des linguistes qui n’y voyaient que “la transcription de la langue” selon la conception de Saussure, ont migré du côté du graphisme, passant de la langue au visuel. Les distinctions traditionnelles entre pictogrammes, idéogrammes et logogrammes ont perdu de leur pertinence. Le champ de l’écriture, naguère bordé par le phonétisme, s’est ouvert sans pour autant recouvrir toute la sémiologie. Toutes les sciences humaines ont contribué à ce changement d’optique: l’ethnologie d’abord avec la découverte de multiples formes d’écritures “primitives”, la philosophie (J. Derrida), la psychanalyse (“l’instance de la lettre”), les découvertes des préhistoriens, l’histoire du livre avec l’intérêt porté à la “mise en texte” et à la typographie, les linguistes eux-mêmes (en intégrant dans la littérature les études sur la ponctuation) et les éléments du “paratexte” (didascalies, légendes), les artistes enfin avec la production croissante de “livres d’artistes” dans la descendance de Mallarmé. Nous essaierons d’établir que ce n’est pas un hasard si cette révision radicale de la notion d’écriture est concomitante à l’essor des écritures mathématiques et des langages informatiques, au progrès des techniques de reproduction des images, au “multimédia” et à la numérisation.

Jerusa Pires Ferreira (PUC-SP)

Memória da Edição e Regime dos Gestos de Leitura (Mesa 7)

Para compatibilizar minha experiência de reflexão com a de ensino e pesquisa no CJE/ECA-USP, na década de 1980, propus alguns conceitos, operações e projetos. O da Memória da Edição, o acompanhamento do livro e dos ofícios que o cercam, a partir de depoimentos orais: outra forma de fazer história do livro e da edição. A partir de uma perspectiva transversal e não hierarquizada, teriam espaço o livro popular e uma abertura para o que chamei “cultura das bordas”. Instalando na letra escrita ou impressa a condição de oralidade, venho elaborando estudos sobre “matrizes impressas do oral”. Em causa, repertórios, situações e ocasiões, tempo/espaço, paisagens culturais, ritmos, e ainda os sistemas de gestos que acompanham o leitor em sua leitura. Assim, o desenvolvimento de “Leituras de Presença e Ausência” opõe o autor como ausência (Foucault e Agambem) àquele da performance e ao vivo (Zumthor), e procura observar ritmos e a oralidade contida no impresso (Henri Meschonnic). Este quadro se completa com a vivência pessoal, em que explico alguns atos de ler.

Publishing Memory and the Reading Gestures’s Regime
In order to conciliate my reflecting experience with that of teaching and researching in the CJE/ECA-USP, at the 80s, I proposed a few concepts, operations and projects. In the Publishing Memory, based on oral testimonies, the monitoring of the book and of the activities that concern it: another form of making the history of the book and of the publishing activity. Coming from a transversal and non-hierarchical perspective there would be a place for the popular book and for a breach which I’ve called the Edge’s Culture. Installing the oral expression’s condition in the written or printed letter, I’ve been elaborating studies about “Printed matrixes of the oral expression”. In cause, repertoire, situations and occasions, time/space, cultural landscapes, rhythms, and also the gestures system which follows the reader in the readings. This way, the development of “Readings of Presence and Absence” which opposes the author as absence (Foucault and Agambem) to that of performance and presence (Zumthor) and seeks to observe rhythms and the oral expression contained in what is printed (Henri Meschonnic). This frame is completed with personal experience, in which I explain some reading acts.

Jean-Yves Mollier (Université de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines)

As Editoras Universitárias Francesas: Entre o Modelo Público e o Modelo Privado, um Difícil Reconhecimento Simbólico (Mesa 8)

Quando surgiu a Presses Universitaires de France (PUF), logo após o término da Primeira Guerra Mundial, a França parecia estar particularmente atrasada em relação aos países anglo-saxões (Grã-Bretanha e Estados Unidos, bem como Austrália e Canadá) e à Alemanha, onde existem, há muito tempo, prestigiosas editoras, encarregadas de promover os trabalhos científicos mais renomados. Longe de adotar o modelo inglês (como Oxford e Cambridge, que se destacam há séculos) e de se fundamentar em uma instituição tão famosa quanto a Sorbonne, a PUF nasceu sob a forma de uma cooperativa privada que reunia algumas editoras universitárias conhecidas e respeitadas, mas sem ligações orgânicas com a alma mater. A Université de Strasbourg havia precedido Paris nessa tentativa de se dotar de uma ferramenta de difusão das pesquisas realizadas em seu próprio meio e outras universidades da província tentarão, por sua vez – começando pelo período entre guerras, mas, sobretudo, após 1960 –, criar editoras universitárias, mas elas são relativamente pouco numerosas para se impor no panorama editorial nacional. Citaremos aqui a Presses Universitaires de Rennes; a Presses du Septentrion, ligada à Université de Lille 3; a Presses de l’ENSSIB, em Villeurbanne; as de Nanterre, de Vincennes e de Toulouse-Le Mirail, mas a lista não é muito longa.

Les Presses Universitaires Françaises: Entre Modèle Public et Modèle Privé, une Difficile Reconnaissance Symbolique
Quand naissent les Presses Universitaires de France (PUF), au lendemain de la Première Guerre Mondiale, la France apparaît comme singulièrement en retard par rapport aux pays anglo-saxons (Grande-Bretagne et Etats-Unis mais aussi Australie ou Canada) et à l’Allemagne, où existent depuis longtemps de prestigieuses maisons d’édition chargées de promouvoir les travaux scientifiques les plus renommés. Loin d’épouser le modèle anglais (Oxford et Cambridge rayonnent depuis des siècles) et de s’adosser à une institution aussi fameuse que la Sorbonne, les PUF naissent sous la forme d’une coopérative privée réunissant certes des universitaires connus et respectés mais sans lien organiques avec l’Alma Mater. L’université de Strasbourg avait précédé Paris dans cette tentative de se doter d’un outil de diffusion des recherches menées en son sein et d’autres universités de province essaieront à leur tour, d’abord dans l’entre-deux-guerres, mais surtout après 1960, de créer des presses universitaires mais elles sont relativement peu nombreuses à être a parvenues à s’imposer dans le paysage éditorial national. On citera ici les Presses Universitaires de Rennes, les Presses du Septentrion adossées à l’université de Lille 3, les Presses de l’ENSSIB à Villeurbanne, celles de Nanterre, de Vincennes ou de Toulouse-Le Mirail mais la liste n’est pas très longue.

Denis Rodrigues (Presses Universitais de Rennes)

A Presses Universitaires de Rennes no Panorama Editorial de Hoje: Uma Dinâmica Multiforme a Serviço do Livro e da Pesquisa Universitária (Mesa 8)

A Presses Universitaires de Rennes surgiu no panorama editorial francês em 1995. O que até então era apenas um serviço de reprodução dos trabalhos dos universitários de Rennes se transformará, ao longo dos anos, em uma verdadeira editora universitária, cujas obras atualmente se encontram na maior parte das livrarias francesas, bem como nas belgas, suíças e canadenses. A mudança de seu status em 2004, que a tornou um Serviço de Atividades Industriais e Comerciais (Service d’Activités Industrielles et Commerciales – SAIC); uma política editorial construída em torno de oito grandes coleções; a construção de uma rede reunindo as dez grandes universidades do oeste da França; a reunião mensal de um comitê editorial de trinta pessoas que representam a maioria dos especialistas universitários; a utilização sensata das tecnologias de informação e da comunicação, bem como uma eficaz rede de difusão, fazem da PUR uma protagonista na vida editorial francesa dos dias de hoje. Esse é o desafio que ela tentou superar, e que nos propomos a explicar, destacando um processo dinâmico, que soube combinar rigor científico, realismo comercial, preocupação estética e o interesse permanente em atingir um leitor não exclusivamente universitário através de uma produção editorial que une erudição e acessibilidade, a serviço do livro e da pesquisa.

Les Presses Universitaires de Rennes dans le Paysage Editorial Français d’Aujourd’hui: Une Dynamique Multiforme au Service du Livre et de la Recherche Universitaire
Les Presses Universitaires de Rennes sont apparues dans le paysage éditorial français en 1995. Ce qui n’était alors qu’un modeste service de reproduction des travaux des universitaires rennais va se transformer au fil des années en une véritable maison d’édition universitaire dont les ouvrages sont aujourd’hui présents dans la plupart des librairies françaises mais aussi belges, suisses ou canadiennes. Le changement de son statut en 2004, qui en fait un Service d’Activités Industrielles et Commerciales (SAIC), une politique éditoriale construite autour de huit grandes collections, la constitution d’un réseau regroupant les dix grandes universités de l’ouest de la France, la réunion mensuelle d’un comité éditorial de trente personnes qui représentent la plupart des spécialistes universitaires, mais aussi l’utilisation judicieuse des technologies de l’information et de la communication, ainsi qu’un efficace réseau de diffusion, font des PUR un acteur majeur de la vie éditoriale française d’aujourd’hui. C’est le défi qu’elles ont tenté de relever que nous nous proposerons d’expliquer en mettant l’accent sur un processus dynamique qui a su combiner rigueur scientifique, réalisme commercial, préoccupation esthétique et souci permanent d’atteindre un lectorat non exclusivement universitaire par une production éditoriale associant érudition et accessibilité, au service du livre et de la recherche.

Patricia Sorel (Arts et Métiers du Livre-Paris x)

As Formações em Ofícios do Livro nas Universidades Francesas (Mesa 8)

As formações em ofícios do livro (métiers du livre) articulam saberes e savoir-faire e isso explica sua implantação nas universidades francesas: aos DUT, diplômes universitaires de technologie (diplomas universitários de tecnologia), se unem às licences (graduação) e os masters professionnels (especialização). Os ensinamentos acadêmicos ocupam um lugar importante na formação dos futuros editores, livreiros e bibliotecários: o lugar do livro na história e na sociedade atual, as práticas de leitura, o ambiente econômico e jurídico são conhecimentos igualmente necessários ao profissional do livro. Certamente, esses profissionais não são simples técnicos – especialistas na arte da mise en page, da gestão de um estoque, e da catalogação –, eles são também os criadores, descobridores e disseminadores dos trabalhos intelectuais e criativos. Saberes e competências se reúnem no exercício das profissões do livro e os cursos tiram sua riqueza da colaboração entre universidades e organizações profissionais. Esse diálogo permanente permite também que as formações se adaptem à evolução das profissões. Se o surgimento de novos suportes não implica o desaparecimento do livro de papel, a concepção dos cursos deve levar em conta as novas tecnologias e as mudanças do público leitor. Objeto em constante mutação, o livro é uma mercadoria, mas também um instrumento de transmissão do pensamento e da cultura.

Les Formations en Métiers du Livre dans les Universités Françaises
Les formations en métiers du livre articulent savoirs et savoir-faire et c’est ce qui explique leur implantation dans les universités françaises: aux DUT (diplômes universitaires de technologie) se sont ajoutés les licences et les masters professionnels. Les enseignements académiques occupent une place importante dans la formation des futurs éditeurs, libraires et bibliothécaires: la place du livre dans l’histoire et dans la société d’aujourd’hui, les pratiques de lecture, l’environnement économique et juridique sont autant de connaissances nécessaires aux professionnels du livre. Ceux-ci ne sont en effet pas de simples techniciens – experts dans l’art de la mise en page, de la gestion d’un stock ou du catalogage –, ils sont aussi des créateurs, des découvreurs et des passeurs d’œuvres de l’esprit. Savoirs et compétences se rejoignent donc dans l’exercice des métiers du livre et les cursus tirent leur richesse de la collaboration entre les universités et les organisations professionnelles. Ce dialogue permanent permet aussi aux formations de s’adapter à l’évolution des métiers. Si l’apparition de nouveaux supports n’implique pas la disparition du livre papier, la conception des cursus doit prendre en compte les nouvelles technologies et les mutations du lectorat. Objet en constante mutation, le livre est une marchandise, mais il est aussi et toujours un instrument de la transmission de la pensée et de la culture.

Valeria Laura Sorín (Universidade de Buenos Aires)

A Formação do Editor Profissional no Contexto da Descentralização do Mercado Editorial na Argentina (Mesa 9)

A Argentina sofreu, durante a última década do século XX, o mesmo processo de concentração no mercado editorial que o resto do mundo, como efeito da chamada globalização. Neste contexto, surgiram as editoras independentes, oferecendo propostas diferenciadas em nichos específicos que as editoras internacionais desprezavam. No entanto, o caso argentino está repleto de particularidades: por ocorrer no âmbito do retorno à democracia, por haver perdido, nas décadas de 1970, 1980 e 1990, o predomínio na edição em língua espanhola e, durante a década de 1990, pela existência de um contexto econômico muito desfavorável à indústria nacional, que facilitou a importação de todo o tipo de publicações. Nesse contexto, em 1992, nasce o curso de Edição na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires. Na primeira década do século XXI, as editoras se multiplicaram na Argentina, abarcando todo o leque de propostas, temáticas e estéticas. A irrupção de tantos novos participantes no campo editorial já possui efeitos concretos. A área foi redefinida, alterando costumes, formas de negócio, relações com o público e com os autores. Será coincidência que, em grande parte dessas novas editoras, seus fundadores e/ou funcionários sejam alunos, ex-alunos, graduados e professores do curso de edição? De que tipo de profissional esse cenário precisa e quais habilidades deverão possuir nossos graduados para produzir nas próximas décadas?

La Formación del Editor Profesional en el Marco de la Desconcentración del Mercado Editorial en la Argentina
La Argentina sufrió, durante la última década del siglo XX, el mismo proceso de concentración en el mercado editorial que el resto del mundo, como efecto de la llamada globalización. En este marco surgieron las editoriales independientes, ofreciendo propuestas diferenciales en nichos específicos que las editoriales internacionales desestimaban. Sin embargo, el caso argentino está lleno de particularidades: por darse en el marco del retorno a la democracia, por haber perdido en las décadas del 70, 80 y 90 el lugar predominante de la edición en lengua castellana, y, durante la década del 90, por haberse dado un contexto económico muy desfavorecedor de la industria nacional que facilitó la importación de todo tipo de publicaciones. En este contexto, en 1992 nace la carrera de Edición en la Facultad de Filosofía y Letras de la Universidad de Buenos Aires. En la primera década del siglo XXI se multiplicaron en la Argentina las casas editoriales, abarcando todo el abanico de propuestas, temáticas y estéticas. La irrupción de tantos jugadores nuevos en el campo editorial ya tiene efectos concretos. El campo se ha redefinido, cambiando costumbres, formas del negocio, relaciones con el público y con los autores. ¿Será casualidad que en gran parte de esas editoriales nacientes, sus fundadores y/o sus trabajadores son alumnos, ex alumnos, graduados y profesores de la carrera de Edición? ¿Qué tipo de profesionales necesita este escenario y cuáles competencias deberán poseer nuestros egresados para producir en las siguientes décadas?

José de Paula Ramos Jr. (ECA-USP)

O Curso de Editoração da ECA-USP: Um Projeto Democrático (Mesa 9)

O curso de graduação em Editoração, mantido pelo departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes – Universidade de São Paulo – celebra em 2012 os quarenta anos de sua instalação e inaugura sua nova estrutura curricular, associada a um renovado projeto pedagógico, ambos elaborados, após três anos de trabalho, com a mais livre e ampla participação discente e docente. O projeto pedagógico do curso de Editoração da ECA-USP, perfeitamente adequado às diretrizes curriculares estabelecidas pelo Ministério da Educação e atento às demandas do mercado editorial contemporâneo, elege o livro como seu objeto preferencial de estudo e prática, assim como propõe uma formação acadêmica, de forte orientação humanística, articulada a uma formação profissional que promova competências e habilidades desejáveis nos múltiplos campos de atividades circunscritos na cadeia editorial: do autor ao leitor.

The Publishing Course from the College of Communications and Arts – USP: A Democratic Project
The degree course of Publishing, maintained by the department of Journalism and Publishing from the College of Communications and Arts (ECA) – University of São Paulo (USP) –, celebrates in 2012 forty years of its installation and inaugurates its new curricular structure, associated to a renewed pedagogic project, both elaborated, after three years of work, with a most free and broad participation of professors and students. The pedagogic project of ECA’s publishing course, perfectly appropriate to the curricular guidelines established by the Brazilian Education’s Ministry and observant of the contemporary publishing market needs, elects the book as its preferential object of study and practice. It also proposes an academic formation with strong humanistic orientation, articulate to a professional formation which promotes desirable competences and abilities for the multiple fields of activities inside the publishing chain: from author to reader.

Eduardo Pablo Giordanino (Universidad de Buenos Aires)

O Catálogo como Ferramenta Pedagógica na Formação dos Editores (Mesa 9)

A cátedra de Registro e Organização de Materiais Editoriais do curso de Edição da Universidade de Buenos Aires propõe, como requisito final para aprovação na disciplina, a entrega de um modelo de catálogo editorial. A matéria trata do controle bibliográfico e das disciplinas relacionadas: descrição bibliográfica, criação e uso de registros bibliográficos através da descrição do conteúdo (textual e temático) e identificação bibliográfica. O objetivo geral é que os estudantes de Edição adquiram os princípios teóricos e os conhecimentos práticos da metodologia que lhes permitam elaborar descrições bibliográficas e catálogos editoriais. A preparação do catálogo consiste em um processo pautado por etapas, cada uma com um desenvolvimento informativo e teórico, e conclui-se com uma avaliação de todo o processo. O catálogo deve abarcar: um esquema de organização (seleção de títulos), registros bibliográficos, ISBD com resumos, descrição temática e índices (onomástico, temático), de acordo com as pautas indicadas no Guía de Preparación del Catálogo. Na construção do catálogo procura-se refletir criticamente sobre a seleção como instância fundamental no momento de reunir um conjunto de títulos representativo de um tema, servindo, assim, como ferramenta pedagógica central para a formação dos futuros editores.

El Catálogo como Herramienta Pedagógica en la Formación de los Editores
La cátedra de Registro y Organización de Materiales Editoriales de la carrera de Edición de la Universidad de Buenos Aires propone, como requisito final para aprobar en la materia, la entrega de un modelo de catálogo editorial. La asignatura trata sobre el control bibliográfico y las disciplinadas relacionadas: la descripción bibliográfica, la creación y uso de registros bibliográficos a través de la descripción del contenido (textual y temático) y la identificación bibliográfica. El objetivo general es que los estudiantes de edición adquieran los principios teóricos y los conocimientos prácticos de la metodología que les permitan elaborar descripciones bibliográficas y catálogos editoriales. La preparación del catálogo consiste en un proceso pautado en etapas, cada una con un desarrollo informativo y teórico, y concluye en una evaluación de todo el proceso. El catálogo debe cubrir: un esquema de organización (selección de títulos), registros bibliográficos ISBD con resúmenes, descripción temática e índices (de autor, de temas), de acuerdo a las pautas indicadas en la Guía de Preparación del Catálogo. En la construcción del catálogo se busca reflexionar críticamente sobre la selección como instancia fundamental al momento de reunir un conjunto de títulos representativo de un tema, sirviendo así como herramienta pedagógica central para la formación de los futuros editores.

Gonzalo Alvarez (Editorial Universitária de Buenos Aires)

Editoras Universitárias e Novas Tecnologias: Sua Congruência com os Objetivos da Universidade (Mesa 10)

É um lugar-comum refletir a respeito do papel das editoras universitárias. Também é comum a dificuldade para classificá-las. Esta apresentação contribui com algumas reflexões neste sentido, sobre a congruência entre a universidade e sua editora, em termos do cumprimento dos objetivos da universidade. As editoras universitárias têm de enfrentar, além dos desafios próprios que implicam sua participação no mercado editorial, a missão crítica da universidade como um ambiente de inovação. Se a universidade é o lugar onde tudo pode ser questionado, a editora deve encarnar essa filosofia. E isto deve perpassar todas as áreas da editora, desde os critérios para elaborar seu catálogo, a produção e a comercialização. Em particular, pretendemos refletir sobre a relação de suas práticas editoriais com as denominadas “novas tecnologias” e a partir de que ponto uma editora universitária pode abordar seus usos e potencialidades.

Editorial Universitaria y Nuevas Tecnologías: Su Congruencia con los Fines de la Universidad
Suele ser un lugar común reflexionar respecto al rol de las editoriales universitarias. También suele serlo la dificultad para encasillarlas. Esta presentación aporta algunas reflexiones en este sentido, sobre la congruencia entre la universidad y su editorial, en términos del cumplimiento de los fines de la universidad. Las editoriales universitarias tienen que enfrentar, además de los desafíos propios que supone su intervención en el mercado editorial, la misión crítica de la universidad como ámbito de innovación. Si la universidad es donde todo debe ser puesto en cuestión, la editorial debe encarnar esa filosofía. Y esto debe cruzar transversalmente todas las áreas de la editorial, desde los criterios para construir su catálogo, la producción y la comercialización. En particular, pretendemos reflexionar sobre la relación de sus prácticas editoriales con las denominadas nuevas tecnologías y desde qué lugar puede una editorial universitaria abordar sus usos y potencialidades.

Bernardo Jaramillo Hoyos (Cerlalc – Unesco)

(Mesa 10)

Resumo não fornecido.

Garret P. Kiely (University of Chicago Press)

O Livro Digital e a Universidade: Encarando o Futuro Juntos (Mesa 11)

Por séculos, materiais impressos em papel (livros, revistas acadêmicas e outros documentos) têm sido o cerne da experiência educacional. Durante esse período, editoras e universidades têm trabalhado juntas desenvolvendo um ecossistema de dependências. Em menos de vinte anos esse ecossistema teve sua base abalada pela disponibilidade e acessibilidade dos conteúdos digitais. Universidades e editoras precisam agora desenvolver novos meios de trabalhar em conjunto para suprir as necessidades de cada uma. Essa discussão destacará alguns dos desafios e oportunidades que esperam por nós.

The Digital Book and the University: Facing the Future Together
For centuries, materials printed on paper (books, journals, and other documents) have been at the heart of the educational experience. In that time, publishers and universities have worked together to develop an ecosystem of dependencies. In less than twenty years, that ecosystem has been shaken to its core by the availability and accessibility of digital content. Universities and publishers now have to develop new ways of working together to serve each other’s needs. This discussion will highlight some of the challenges and opportunities that await us.

Ursula Rautenberg (Institute of Book Studies – University of Erlangen-Nuremberg)

O Mercado do Livro e a Ciência na Alemanha: Desenvolvimento e Interdependências de uma Difícil Relação (Mesa 11)

Na Alemanha, o mercado de livros acadêmicos surgiu na segunda metade do século XIX e nessa época as estruturas foram estabelecidas de uma maneira que tornou muito complicada, até hoje, a relação entre mercado do livro e ciência. Minha tese é a seguinte: Na Alemanha, a editora acadêmica moderna estabeleceu-se complementarmente à comunidade científica e às novas formas de comunicação científica que surgiram com o aumento do prestígio das ciências e com as reformas universitárias. Um terceiro fator foi a inclusão das bibliotecas científicas como provedoras de serviços à ciência, adquirindo, catalogando e arquivando os trabalhos de pesquisa, os quais estavam, em sua maioria, estão disponíveis para a comunidade científica. Apesar de ter havido sinais de áreas de conflito no estágio inicial, as estruturas de interação não eram perturbadas de maneira significativa. As condições presentes, substancialmente diferentes – eu menciono aqui, em bordões, a internacionalização, as publicações eletrônicas e as possibilidades de distribuição – também mudam a interação entre o mercado do livro e a ciência; podemos perceber uma reestruturação sistêmica. Explico isso usando o exemplo da presente crise da indústria de artigos acadêmicos que demonstra claramente as divisões que foram criadas no sistema.

Book Trade and Science in Germany: Development and Interdependencies of a Difficult Relationship 
The academic book trade was formed in Germany in the second half of the 19th century and at that time structures were established making the relationship between book trade and science difficult until today. My thesis is: The modern scientific publishing house was established complementarily to a scientific community and new forms of scientific communication that emerged with the rise of sciences and the university reforms in Germany. As a third actor the scientific libraries were added as service providers of science that acquired, catalogued and archived the research literature and were mostly freely available to the scientific community. Although there were signs of conflict areas at an early stage, the interaction structures were not significantly disturbed. Substantially changing frame conditions in the present – I mention here in catch phrases the internationalization and the electronic publication and distribution possibilities – also changes the interaction between book trade and science; systemic restructuring is indicated. This is explained using the example of the current crisis in the journals industry that clearly shows the divisions that have been created in the system.

Andrew Brown (Cambridge University Press)

Publicando Pesquisas Acadêmicas em um Mundo Digital (Mesa 12)

Noventa e nove por cento de toda a informação da internet está disponível gratuitamente. Que implicações isso tem para a excelência da publicação acadêmica e sua ênfase na revisão por pares e na garantia de qualidade? Como o acesso irrestrito e a ascensão dos repositórios institucionais irão afetar a conhecida validade da pesquisa acadêmica? Como as transformações de nosso modo de ler (menos profundamente, em unidades cada vez mais curtas, em aparelhos portáteis cada vez mais sofisticados), lideradas pela tecnologia, irão impactar a viabilidade da tradicional monografia acadêmica? Devemos nos importar? Será que a “democratização” do conhecimento, proporcionada pela revolução digital, implica queda de qualidade da investigação e debate intelectual do mais alto nível? Considerarei essa questão e outras relacionadas, particularmente no que diz respeito às artes e às humanidades, áreas em que a forma de publicação preferida ainda é o livro em vez dos artigos de revistas acadêmicas, os orçamentos das bibliotecas sofrem as maiores ameaças e o futuro da pesquisa acadêmica e sua disseminação não está claro.

Publishing Academic Research in a Digital World
Ninety-nine per cent of all information on the internet is available free of charge. What implications does this have for the elite world of scholarly publishing, with its emphasis on peer review and quality assurance? How will open access and the rise of institutional repositories affect the perceived validation of academic research? How will technology-led transformations in how we read (less immersively, in ever shorter units, on ever more sophisticated mobile devices) impact the viability of the traditional scholarly monograph – and should we care? Does the digital revolution’s “democratising” of knowledge imply a dumbing-down of the highest level intellectual inquiry and debate? I shall consider these and related questions particularly as they concern the arts and humanities, where the preferred form of publication is still the book rather than the journal article, where library budgets are most under threat, and where the future of academic research and its dissemination is anything but clear.

Mary Katherine Callaway (Louisiana State University Press)

Editoras Universitárias e os Desafios da Publicação Acadêmica (Mesa 12)

Pelos últimos 75 anos, a Associação Americana de Editoras Universitárias tem ajudado suas editoras associadas propiciando educação profissional, serviços cooperativos e advocacia pública. Nossos membros produzem uma grande variedade de publicações, muitas pretendidas a um público internacional. Além disso, a associação possui editoras internacionais como membros, sendo que muitas de suas editoras produzem traduções de trabalhos acadêmicos para o inglês e também licenciam seus trabalhos para editoras fora da América do Norte. Recentes pressões financeiras na publicação acadêmica, bem como os novos desafios e oportunidades trazidos pelas novas tecnologias e novos modelos de mercado, têm demonstrado o valor de nos mantermos conectados a fim de aumentarmos as vendas de nossos livros e revistas em mercados além de nossas fronteiras. Enquanto as editoras consideram outros meios de colaboração e cooperação, como pode a Associação Americana de Editoras Universitárias nos ajudar a encarar os desafios desta nova era na publicação acadêmica?

University Presses and the Challenges of Scholarly Publishing
For the past 75 years, the Association of American University Presses has assisted its member presses through professional education, cooperative services and public advocacy. Our members produce a wide number of publications, many intended for an international audience. In addition, the AAUP includes international publishers among its members, and many AAUP presses produce English translations of scholarly works and also license their works to presses outside North America. Recent financial pressures in academic publishing – as well as the challenges and opportunities of new technologies and new marketing models – have demonstrated the value of maintaining our connections as we work to increase sales of our books and journals in markets beyond our borders. As publishers consider other ways to collaborate and cooperate, how can the AAUP assist us as we face the challenges of this new era in scholarly publishing?